Deficiência e emprego: como jogar as cartas que lhe foram dadas

Deficiência e emprego: como jogar as cartas que lhe foram dadas

O Orador e Conselheiro Spann Cordle fala sobre a sua educação e carreira impressionantes e como ele pretende ajudar outras pessoas com deficiências a realizarem o seu potencial.

Fale um pouco sobre si aos leitores da Disability Horizons.
Eu tenho 57 anos e tenho paralisia cerebral devido a nascer prematuramente 2 meses e meio. Formei-me na Universidade Estatal de Jacksonville com bacharelato em “Ciência Política, Correções”. Desde que me formei, tenho arranjado uma série de trabalhos. Quando deixei a universidade primeiro trabalhei em justiça criminal e administração pública, e depois disso tornei-me um oficial de justiça em ambos os estados de Georgia e Texas. Em 2007 comecei por trabalhar com a Walmart como recepcionista e fui depois promovido a colaborador de vendas. Em 2010 fui o “colaborador com deficiência do ano” da revista mundial Walmart.

A minha educação e carreira diversificada tem me permitido ser um porta-voz da deficiência e fazer conferências públicas para mostrar todo o mundo que pessoas com deficiência também conseguem alcançar coisas maiores.

Pode ser um desafio procurar um emprego sendo uma pessoa com deficiência. Por favor conte-nos os desafios que enfrentou.
Os meus desafios na procura de emprego têm sido os mesmos da maioria das pessoas com deficiência. Tendemos a receber uma expressão não verbal mas bastante óbvia que se traduz em: “tu não estás seriamente a tentar candidatar-te para isto pois não?”.

A deficiência é o tipo de coisa estereotipada ao qual as pessoas reagem (e têm noções preconceituosas sobre) mesmo antes de saberem que tipo de deficiência uma pessoa tem. O simples facto de estares presente numa entrevista de emprego faz com que sejas visto de forma diferente.

Na época em que eu estava à procura de trabalho, tive de utilizar muletas, o que fez com que a minha condição se tornasse mais pronunciada (ou seja, a minha deficiencia nao passava despercebida).

Foi duro saber que a partir do minuto em que eu entrasse por aquela porta, eu iria ver as expressões das pessoas mudarem. Esta é uma situação à qual não podes fugir ou esconder-te. Contudo, em algumas circunstâncias pode ser uma vantagem – se eles te virem como determinado, educado, e capaz de desempenhar as tarefas necessarias, podes realmente ser contratado.

O que é que você fez para ultrapassar estes desafios?
Uma pessoa tem de jogar as cartas que lhe foram dadas e ter confiança que as suas qualificações e competencias serão suficientes. Joguem com os vossos pontos fortes. Destaquem a vossa educação e o que aprenderam. Tenham confianca em vocês mesmos e, ao fazê-lo, quando derem por vocês a entrevista estará terminada. Simplesmente… façam com que aqueles que vos entrevistam não vejam a deficiência.

Pode falar sobre a sua experiência de trabalho como oficial de justiça?
Trabalhar como oficial de justiça foi maravilhoso. Lidar com pessoas em liberdade condicional é uma experiência única, especialmente enquanto a deficiência não entra em jogo. Quando (em tribunal) aceitam uma defesa, vocês estão a lidar estritamente com advogados e o juíz que já se apercebeu que és totalmente capaz. Quando um cliente é colocado em liberdade condicional, eles geralmente estão muito assustados e nunca notam a minha deficiência.

A ideia de ter um objectivo definido, ir à escola e depois ser capaz de alcançar o que queres não pode ser descrita por palavras. Estar na posição de oficial de tribunal, trabalhar para juízes que entendem as tuas habilidades bem como os teus defeitos e esperam que executes tal como qualquer outra pessoa é muito humilde e gratificante.

Como é que o seu cão de serviço, Finn, o auxilia em casa e no trabalho?
Finn é verdadeiramente impressionante, assim como todos os animais treinados para prestar serviços a pessoas com deficiência… mas Finn é especial.

Antes de o ter, foi-lhe atribuído um perfil da personalidade, como a mim, e isso era utilizado depois para tentar encontrar um vínculo entre o cão e o treinador. As nossas personalidades são bastante próximas. Finn consegue ligar e desligar luzes, abrir e fechar portas, tirar as roupas da máquina de lavar, colocá-las na máquina de secar, pressionar botões das máquinas, dos elevadores, etc. Ele é incrível!

Pode contar-nos como pretende educar outras pessoas sobre a deficiência e o emprego?
Eu estou a fazer isso à medida que falo, através dos media. E também espero falar em público para educar a maioria das pessoas, para mostrar e dizer – por exemplo – que qualquer coisa é possível dentro dos limites da vossa deficiência se vocês verdadeiramente quiserem isso.

Como começou a falar em público e a dar aconselhamento?
Eu comecei por falar localmente na minha cidade natal e uma coisa levou à outra e tem crescido a partir daí. Quer eu esteja a falar para um grupo de 4000 ou para apenas alguns, o objectivo é o mesmo: passar a palavra e mostrar aos outros que a determinação, perseverança e fé pode destacá-lo da deficiência e ajudar a alcançar coisas maiores.

Que conselho daria às pessoas com deficiência que estejam à procura de emprego?
Sejam vocês próprios. Actualizem o vosso CV frequentemente com novas capacidades. Que vão para uma entrevista confiantes (mas não sejam arrogantes!). Apostem no vosso nível de conhecimento sobre o emprego ao qual se candidatam e deixem que eles saibam que vocês não vão desistir.

Como aconselharia alguém para se manter motivado enquanto procura por um emprego?
Compreendam sempre que apesar de não terem controlo da vossa deficiência, está nas vossas mãos como lidar com ela. [Eu acredito] que a deficiência vem até nós por alguma razão, e tem muito a ver com quebrar os limites e fazer o melhor com o que temos. Muitas pessoas sem deficiência não trabalham. Mostremo-lhes o quão diferentes somos.

Qual foi a sua maior conquista até agora?
De longe o facto de me formar na universidade. Mas também ter sido nomeado o “colaborador do ano” e representar as pessoas com deficiência com a maior distribuidora de retalho mundial.

Se alguém estiver interessado em utilizar os seus serviços, como podem entrar em contacto?
Eles podem contactar-me de várias formas. Por email: spannservicedog@windstream.net, Twitter: @spannservicedog, LinkedIn, também podem enviar-me mensagem através do meu website www.spannsworld.net

Entrevista realizada por Zubee (Tradução por Diana Mendes)

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