Deficiência e turismo acessível: o dilema da acessibilidade no turismo

Deficiência e turismo acessível: o dilema da acessibilidade no turismo

Os Blimbers descrevem-se como os bloggers especializados em viagens menos prováveis do Reino Unido. Rob juntamente com o seu companheiro Bridget, viajam numa cadeira de rodas, avaliando o nível de acessibilidade ao longo da sua viagem. Motivados pelo manttra “Acesso para todos” Rob partilhou connosco alguns pensamentos, observações e ideias para tornar o acto de viajar mais acessível para pessoas com todo o tipo de limitações. No artigo de hoje…o dilema de acessibilidade no turismo.

No post de hoje, eu gostaria de compartilhar alguns pensamentos; Eu gostaria que estas reflexões fossem um ponto de partida para uma conversa.

Durante esta semana tenho passado muito tempo deitado na cama, o que significa que tive imenso tempo para reflectir sobre o dilema relacionado com turismo acessível. No caso de se estar a questionar, o dilema refere-se ao desafio de encorajar as diferentes empresas que operam na indústria turística a se comprometerem em contribuírem para um turismo livre de barreiras.

Nos últimos anos já conseguimos conquistar um longo caminho, mas ainda assim parece que estamos um pouco de parte, como se ainda não tivéssemos realmente ganho a batalha relacionada com turismo acessível.

Em última instancia, a indústria turística existe para fazer lucro e sem um óbvio retorno de investimento, porquê que haveriam de dar atenção a questões relacionadas com acessibilidade?

Eu ainda me lembro do dilema original à volta da acessibilidade no turismo, era uma época em que a grande maioria das viagens eram inacessíveis, não no sentido de barreiras físicas mas simplesmente porque eram demasiado caras. Essencialmente o preço das viagens significava que a grande maioria das pessoas não tinham acesso à prática de turismo.

Em vez de ignorar a indústria resolveu o problema. Liderada pelo mercado, as companhias aéreas, os pacotes turísticos e finalmente a internet contribuíram para reduzir os custos das viagens, o que permitiu que viajar se tornasse acessível a milhões de pessoas.

Eu duvido que haja uma solução rápida para nós, pelo menos não uma que tenha o mesmo impacto como a redução de custos teve. No entanto, há certamente algo que poderemos fazer para acelerar o processo de inclusão na indústria turística.

Tenho andado à procura da solução mágica, de algo que faça parar esta inércia e que faça com que a indústria tome de facto uma atitude.

Depois de muita deliberação, cheguei à conclusão que a minha pesquisa era inútil porque a solução mágica já existe, nós já a temos, eu é que ainda não tinha tomado consciência, pelo menos não totalmente!

Passo a explicar:

Em Janeiro, a máquina de marketing da indústria de viagens entra em grande velocidade. Somos bombardeados com folhetos, anúncios de TV, suplementos de jornais e reduções de preços boas demais para serem verdade. Sua missão é convencer-nos de que as férias tradicionais no monótono Bed & Breakfast e a dormir numa tenda (ou debaixo de um toldo) são coisas do passado.

Somos encorajados a partir para o para o paraíso, descansar à beira de uma piscina, navegar os sete mares a bordo de um resort flutuante e explorar as maravilhas do mundo. A verdade é que a maioria dessas férias ainda são inacessíveis para a maior parte das pessoas, pois são demasiado caras, mas para muitos ainda são fisicamente inacessíveis.

Se esse é o caso, porquê que a indústria turística investe tempo e dinheiro em promover férias a massas quando sabe que a maioria das pessoas não poderão desfrutar das mesmas, mesmo que assim o desejassem?

Para resumir, a essência do marketing resume-se a um jogo de números. Trabalham baseados na premissa. Quanto mais tentarem vender algo maior é a probabilidade de conseguirem algum resultado.

Sendo assim , a minha próxima questão é: como é que isto se relaciona com o nosso dilema?

Redução de preços são sempre bem-vindos, mas não resolvem o problema. Se aprendermos a lição com a indústria, marketing é a arma secreta, marketing é a resposta.

Não me estou a referir apenas a marketing no que respeita acesso a informação em nome da indústria, deveríamos reverter o uso de marketing a favor do consumidor, demonstrando a procura à indústria.

Isto soa bem, mas a questão é como?

A internet dá-nos a oportunidade para mudarmos o cenário relativamente à acessibilidade no turismo, dando poder e voz a quem se sente excluído da indústria turística. Podemos demonstrar que viajar é possível, podemos realçar como a indústria está a tentar se tornar mais inclusiva e promover boas práticas sempre que possível.

O que ainda não fazemos suficientemente é dar voz ao consumidor. É importante arranjarmos uma forma de recolher informação referente ao que os consumidores desejam e querem e, de um modo profissional, colocarmos esta informação disponível para a indústria.

Estou plenamente consciente de que estou a pregar para os já convertidos, mas não tenho intenção de pedir desculpa por estar “ a bater na mesma tecla”. Em 2016, colectivamente podemos passar a mensagem, nós temos as ferramentas, e precisamos de redobrar os nossos esforços para as usarmos de um modo ainda mais eficaz.

Talvez eu esteja a perder o fio condutor; Vamos encarar a realidade, o turismo acessível não é sexy ou glamoroso. Não é imediatamente claro o quanto é importante e a quantidade de pessoas que engloba. Pode até ser encarado como nicho demasiado pequeno no grande oceano de possibilidades.

Tenho escrito alguns posts para a revista Disability Horizons sobre o tópico de turismo acessível, no post O que é Turismo Acessível e Quem se Preocupa, eu espero ter realçado o facto de ser um segmento importante no mercado e no meu último post: Turismo Acessível – Avanços, Abanões e Decisores, destaco pessoas e organizações que estão realmente empenhadas em tornar a indústria mais inclusiva.

Se eu poder ser ousado, gostaria de ir um pouco mais além com este post, pois gostaria que fosse encarado como uma convocação. Juntos, podemos fazer 2016 o ano do turismo acessível, o ponto de viragem, passando de um nicho para a norma.

Eu adoraria ouvir os seus pensamentos sobre o dilema turismo acessível, como podemos melhorar o papel do marketing, o que mais podemos fazer para manter este assunto acesso e o centro de discussões na área do turismo em geral.

Autor Robert Obey – Traduduzido por Rita Duarte

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