Martyn Sibley foi eleito a terceira pessoa mais influente, com deficiência

Martyn Sibley foi eleito a terceira pessoa mais influente, com deficiência

A lista das 100 pessoas com deficiência mais poderosas e influentes abrange indivíduos com deficiência bem sucedidos em diferentes áreas: política, media, desporto e entretenimento. Produzida por poderosos meios de comunicação e patrocinado pela The Shaw Trust, esta lista gera importantes discussões em torno de se ser deficiente em 2016. Este ano, o co-fundador da revista Disability Horizons, Martyn Sibley, foi eleito a terceira pessoa com deficiência mais influente da lista!

Eu ainda não tenho certeza de quem me seleccionou, mas um par de meses atrás foi-me pedido para fazer uma lista das minhas mais recentes realizações. Fiquei muito sensibilizado por alguém se ter lembrado de mim, por isso respondi e mencionei os meus projectos actuais. Em seguida, durante uma viagem de trabalho a Maiorca, fui convidado para dar um depoimento, uma vez que tinha conseguido chegar à lista dos 10 primeiros. Um dia depois, de modo confidencial, fui informado que constava no terceiro lugar!

Eu estava logo atrás da campeã paralimpica mais condecorada da Grã-Bretanha Sarah Storey, que ficou em primeiro lugar, e do apresentador do canal 4 Alex Brooker que ficou em segundo. O apresentador da BBC Andrew Marr, que ficou deficiente depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral era o número oito.

Eu estou a escrever este artigo depois de alguns dias de parabéns e de digestão da informacão. Estou com o queixo quase no chão. Mas o que é que tudo isso realmente significa para mim?

Inspirando jovens com deficiencia

Algumas pessoas no mundo da deficiência odeiam a palavra ‘inspirar’ ou ‘inspiradora’. Isto porque quando uma pessoa com deficiência sai de casa para ir para o trabalho ou para uma discoteca, é muitas vezes visto como algo inspirador para a maioria das pessoas. Quando, na verdade, deve ser encarado como uma actividade diária normal. Infelizmente falta de acesso, atitudes e regulamentos torná-lo mais difícil. No entanto, nós, as pessoas com deficiência não estamos aqui para inspirar outras pessoas por causa das nossas dificuldades. Nós realmente só queremos igualdade e a possibilidade de viver uma vida com qualidade como todos os seres humanos.

No entanto, para mim, inspiração faz um pouco de sentido. Durante o meu crescimento, eu questionava-me como iria conseguir viver sem o meu pai e a minha mãe a tomarem conta de mim. Eu questionava-me se eu ia conseguir arranjar trabalho. Se eu ia conseguir conduzir. Se eu ia viajar. Se eu faria sexo. Acho que vocês compreendem o meu ponto de vista. Houve muitas preocupações e dúvidas.

Tenho esperança que as incríveis pessoas que estão nesta lista consigam demonstrar às pessoas mais jovens e com deficiência o que pode ser alcançado. Naturalmente todas as pessoas têm necessidades diferentes, personalidades diferentes e objectivos diferentes. Esta lista só mostra que o que desejamos para a nossa vida pode ser alcançado.

Impedir o governo de reduzir os apoios estatais para pessoas com deficiência

Eu não posso falar pela Sarah, Alex ou Andrew. Contudo tive períodos difíceis na minha vida. Eu não quero vitimizar-me, mas precisar de ajuda para vestir, desligar a luz, tomar banho e muito mais… é desafiante. Os equipamentos e as pessoas necessárias para tornar a minha vida digna têm, obviamente, um custo.

Na maioria das sociedades civilizadas, defende-se que aqueles que nascem com uma deficiência ou adquirem-na durante a sua vida devem poder contar com o apoio do estado. Vamos ser claros – ninguém escolhe ter uma deficiência. Além disso, pode afectar todos.

Infelizmente, aqueles que não são afectados por uma deficiência não compreendem esta realidade. Todas as pessoas com deficiência são diferentes, são humanas e apenas estão a tentar sobreviver na vida.

O governo tem gradualmente vindo a reduzir o financiamento para serviços vitais. Todos os anos é uma luta para obter financiamento para os meus assistentes de cuidados pessoais, equipamento e transporte para uma vida independente.

Alguns podem dizer: “Sim, mas tudo custa ao contribuinte.” Bem, sim de facto custa mas é exactamente para isso que os impostos servem, para incluir todos os indivíduos na sociedade e para que possam participar activamente na mesma. Certamente que também iria desejar receber apoio caso também precisasse.

Além disso, os custos de não comparticipar com estes serviços vitais contribuem para os seguintes cenários:

1) A perda da contribuição económica de muitas pessoas com deficiência que de outra forma poderiam trabalhar

2) Perda de rendimento e contribuição de impostos por parte das pessoas com deficiência, dos seus assistentes de cuidados pessoais, dos fornecedores de equipamentos e de bens de consumo.

3) Aumento dos custos do sistema nacional de saúde devido à falta de apoio de assistência física.

4) Aumento dos custos do sistema nacional de saúde devido a problemas de saúde mental derivados da consequência de se ser “prisioneiro” em sua própria casa.

Esta lista poderia continuar e continuar, mas todos nós sabemos que não basta medir a vida pela perspectiva económica. Há benefícios menos quantificáveis associados à igualdade.

Por isso, apelo ao governo e à sociedade para olhar para essa lista de pessoas bem sucedidas com deficiência, para que se continue a investir em todos aqueles que enfrentam mais barreiras do que outros. Isto inclui barreiras relacionadas com raça, religião, sexualidade, género e saúde mental.

No final, a nossa economia, as nossas comunidades e o nosso mundo serão muito melhores.

Para as pessoas comuns

Apesar de estar a correr o risco de convidar ao uso da palavra “inspirador”, eu quero que TODAS as pessoas compreendam as dificuldades e o potencial contributo das pessoas com deficiência.

Quanto mais nós discutirmos esta realidade, quanto mais acabarmos com os mitos, e removermos as barreiras, mais rapidamente as pessoas com deficiência podem partilhar os seus talentos com o mundo… para o benefício de todos.

Dados de uma recente pesquisa indica que o poder aquisitivo das pessoas com deficiência enquanto consumidores é de 212 bilhões de libras esterlinas, tornando-se conhecido como “ a libra roxa”. Eu menciono este argumento sempre que tento atrair marcas para apoiarem a Disability Horizons.

Talvez isto possa gerar algum “progresso”, um novo impulso. A única coisa a lembrar é o seguinte: independentemente de sermos ricos ou não, talentosos ou não, todos nós devemos ter direito à igualdade.

Reflexão final

Naturalmente, eu estou muito feliz e orgulhoso por ter sido nomeado número 3. Eu nunca trabalhei nesta área com o intuito de obter fama ou dinheiro… embora receber uma “palmadinha nas costas” é sempre bom.

Acima de tudo, espero poder continuar a usar a minha influência da forma como tenho feito até hoje. Espero poder continuar a incentivar outras pessoas com deficiência a agarrarem os seus sonhos. Espero poder continuar a fazer campanhas através de Disability United (uma outra revista que faz parte do Grupo Disability Horizons) e parceiros similares por mais igualdade. Espero motivar as empresas a fazerem produtos e serviços acessíveis. Espero poder empregar pessoas com deficiência. Simplesmente a envolver cada vez mais a sociedade sobre a realidade de viver a vida com deficiência.

Nunca se sabe, talvez consigamos criar um mundo onde todos somos respeitados e felizes.

Obrigado por todo o apoio e façamos um brinde à mudança do mundo… pouco a pouco.

Por Martyn Sibley

Você pode ver a lista completa das 100 pessoas com deficiência mais influentes, através do site da caridade organisadora, Shaw Trust.

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