10 melhores dicas para viajar de modo acessível

10 melhores dicas para viajar de modo acessível

Carrie-Ann Lightley, da organização Turismo para Todos, sabe uma coisa ou duas sobre viagens acessíveis, especialmente porque aprendeu da maneira mais difícil. Com anos de experiência em viagens, neste artigo traz-nos as suas 10 melhores dicas para viajar de modo acessível.

1. Faça uma lista com os seus requisitos
Em primeiro lugar, faça uma lista detalhada de todos os seus requisitos. Isso garantirá que nada seja negligenciado permitindo uma comunicação clara com as empresas e prestadores de serviços sobre o que realmente precisa. Lembre-se que, embora algumas coisas possam ser óbvias para si, não pode assumir que serão igualmente óbvias para os outros. Por exemplo, se usa uma cadeira eléctrica grande e precisa de portas largas, certifique-se de que conhece as medidas exactas da sua cadeira para que você e a empresa que contratou possam ter certeza de que o serviço ou o espaço é adequado para si.

Recentemente, fiquei num hotel que dispunha de quartos acessíveis, mas tinha um grande degrau na sua porta de entrada. Contudo, o hotel possuía uma entrada alternativa com uma rampa e o staff desde logo prontificou-se em me ajudar. No entanto, esta situação não teria sido uma surpresa para mim se eu tivesse comunicado desde o inicio da minha necessidade de circular apenas em piso plano logo no acto da reserva.

2. Faça sua pesquisa
Certifique-se que tem tempo suficiente para descobrir o máximo possível antes da sua viagem. Verifique se está adequada às suas necessidades e quais as barreiras que poderá encontrar. Use todos os recursos disponíveis – internet, brochuras, telefone, e-mail, – para fazer a sua pesquisa.

Por exemplo, ao planear onde ficar, entre em contato com o hotel / alojamento para verificar as suas instalações e compreender a sua interpretação da palavra acessibilidade. Um quarto “acessível” num determinado hotel pode significar um quarto espaçoso com uma casa de banho completamente acessivel e sem qualquer tipo de degraus para entrar na zona do chuveiro, ao passo que num outro hotel pode significar um quarto standard com barras de apoio na casa de banho e com poliban em vez de banheira.

As fotografias são fundamentais na pesquisa de lugares acessíveis tanto a nível de alojamento como espaços para visitar. Peça que as fotos sejam enviadas por e-mail, especialmente se planear viajar para outro país. Tenha em atenção que a terminologia sobre acessibilidade pode se perder na tradução – em 2010 eu fiquei em um hotel na Turquia, onde o proprietário me assegurou que havia rampas por toda parte. O único problema era que as rampas eram tão íngremes que eu não conseguia usá-las!

O dono do hotel bem como o staff foram muito amáveis e sempre me ajudaram, mas mais uma vez não teria sido uma surpresa se eu tivesse comunicado desde o inicio sobre a minha necessidade de ter acesso a um piso mais plano possível.

3. Plataformas on-line
Por vezes poderá considerar que os sites dos locais onde pretende ficar alojado ou dos espaços que deseja visitar não possuem suficientemente informações detalhadas.

Por exemplo, um hotel pode mencionar que tem quartos acessíveis, mas não indica se a casa de banho tem chuveiro ou uma banheira. As plataformas on-line, como as que se seguem, disponibilizam preciosas informações de acessibilidade e em alguns casos ainda poderá ler as opiniões de pessoas com deficiência que visitaram esses mesmos locais.

OpenBritain – www.openbritain.net

DisabledGo – www.disabledgo.com

Guia do Euan – www.euansguide.com

4. Organizações especializadas
Algumas pessoas adoram passar horas, dias e semanas a pesquisar (eu sou uma dessas), enquanto outras preferem falar com um especialista que as oriente no processo. Se não tem a certeza sobre o seu plano para férias ou simplesmente não sabe por onde começar, considere juntar-se a uma organização especializada, como é o caso de Turismo para Todos (TFA).

O TFA foi concebido para lhe facilitar o planeamento da sua viagem em troca de uma modesta taxa de adesão anual. TFA irá encontrar actividades para fazer e lugares para ficar que atendam aos seus requisitos pessoais e específicos. Por exemplo, pode inclusive organizar o aluguer e a entrega de equipamentos de mobilidade, caso seja necessário. Além disso, irá usufruir de uma gama de descontos exclusivos para membros, compensando, assim, o custo da sua taxa de adesão.

5. Procure pelas declarações de acessibilidade
Muitas empresas incluem declarações de acessibilidade nos seus websites ou no seu material informativo. Pense em uma declaração de acessibilidade como uma brochura de hotel ou de um local desenhado especialmente para pessoas com deficiência. Este documento deve reflectir um conjunto de informações detalhadas, fotos e contactos específicos, poupando, assim, ao cliente horas de pesquisa.

Verifique sempre em primeiro lugar a existência de uma declaração de acessibilidade e se não conseguir encontrá-la, verifique junto da empresa se possui uma e como poderá ter acesso à mesma. Caso este documento não exista sugira a sua produção – pois facilitará imenso todo o planeamento da viagem para quem é portador de deficiência e poderá inclusive atrair futuros clientes.

6. Organize as coisas antecipadamente sempre que possível
A sua deslocação e alojamento geralmente serão organizados com antecedência, mas considere se há outros aspectos relacionados com as suas férias, que planeados com antecedência podem melhorar a qualidade da sua viagem ou reduzir o risco de inconveniência ou decepção.

Por exemplo, reservar um espaço de estacionamento numa ida ao teatro poderá garantir o seu acesso com tranquilidade. Evitando, assim, o transtorno de não obter o estacionamento mais conveniente para si e até mesmo, em alguns casos, o possível cancelamento da sua ida ao teatro.

Por exemplo, quando estive de férias, no mês passado, em Itália usei o comboio para viajar entre diferentes cidades. Para tal, reservei o meu bilhete com antecedência para que eu pudesse ter a certeza de que iria receber a assistência necessária nas diversas estações.

7. Permita-se ter tempo para lidar com problemas
Ao planear a sua viagem, tente criar tempo em sua agenda para lidar com quaisquer emergências ou problemas inesperados que possam surgir.

Por exemplo, se ficar num hotel, reserve com antecedência um check-out tardio. Poderá não precisar do tempo extra, mas, caso surja algum problema, terá um pouco mais de tempo para lidar com a situação.

Infelizmente, este foi um erro que cometi ao planear a minha viagem a Itália. Foram umas férias breves, de três noites com um itinerário cheio e, infelizmente, o meu voo de partida teve um atraso de três horas. Isto fez com que a viagem se tornasse bastante cansativa e stressante. Apesar de ter tido uma experiencia maravilhosa, teria tido umas férias mais relaxadas se eu tivesse planeado ter mais um dia extra.

8. Deixe as empresas saberem da sua chegada
Claro, num mundo ideal, não seria necessário que os passageiros com deficiência notifiquem as empresas e os prestadores de serviços antes da sua chegada. Contudo, ao comunicar a sua chegada permite às empresas a estarem mais bem preparadas para darem resposta às necessidades que precisa. Se eu espero que uma empresa atenda às minhas necessidades, acho que é justo e é da minha responsabilidade comunicar antecipadamente. Muitas pessoas apreciam a espontaneidade, mas no meu caso eu gosto de estar tranquila e em paz porque sei que fiz tudo o que estava ao meu alcance para que qualquer empresa me possa auxiliar da melhor forma possível.

9. Rentabilize ao máximo o diálogo com as empresas
Existem algumas regras simples que ajudarão a garantir que obtenha o melhor resultado das várias interacções com diferentes empresas, seja via telefone ou e-mail quando o objectivo é obter informações sobre instalações, reservar ou reclamar sobre um determinado serviço.

  • Anote com antecedência todas as perguntas que deseja fazer ou os pontos que deseja mencionar e consulte esta mesma lista durante a conversa. A lista detalhada que elaborou com todos os seus requisitos (veja a dica 1 acima) poderá ajuda-lo.
  • Certifique-se de que tem tempo suficiente para a conversa e que está confortável.
  • Peça o nome e a posição da pessoa com quem está a falar e anote essa informação.
  • Certifique-se de que o seu tom de voz e o tipo de linguagem ajudam a estabelecer um diálogo amigável.
  • Expresse-se de forma clara e sucinta e não utilize excessivamente termos técnicos relacionados com a sua deficiência. Os funcionários podem não estar familiarizados com termos tão específicos, por isso utilizar um idioma simples e ser claro sobre o que pode ou não fazer, ajudará a empresa a ajudá-lo.
  • Seja específico sobre as informações que precisa e não confie na interpretação de suas necessidades por parte de uma outra pessoa. É preferível perguntar; “Quão longe está o meu quarto do restaurante?” Do que: ” O meu quarto está longe do restaurante?”
  • Caso não consiga entender o sotaque da pessoa (por ex: durante uma chamada telefónica) ou até mesmo o idioma, comunique e, se necessário, sugira (de forma amigável) que eles encontrem alguém para lhe ajudar.
  • Anote o que é dito durante a conversa.
  • No final da conversa, faça um pequeno resume em conjunto sobre o que foi discutido e defina qual o próximo passo a tomar.
  • Idealmente, se a conversa for via telefone, envie um e-mail para essa mesma pessoa confirmando os detalhes-chave da conversa. Evitando, desde modo, possíveis mal-entendidos.

10. Nunca tenha medo de pedir ajuda
Muitas empresas oferecem aos seus funcionários formação para lidar com público com deficiência (e, certamente, as empresas que participam na campanha Turismo é Para Todos mantêm os compromissos da TFA). No entanto, não deve assumir que o staff reconhecerá de imediato as suas necessidades ou entenderá que coisas como escadas, transporte de bagagem ou deslocação do parque de estacionamento para a entrada do hotel podem ser inconvenientes para si ou até mesmo uma impossibilidade. Da mesma forma, em muitos casos em que o staff não recebeu formação, os funcionários não estão confiantes o suficiente para lhe oferecer ajuda porque não têm a certeza de como a mesma será interpretada.

Na nossa experiência, as pessoas estão interessadas em ajudar apenas precisam de saber o que precisam de fazer. Sendo assim, ao pedir assistência facultando indicações sobre que tipo de ajuda precisa, está a contribuir para que facilmente obtenha a ajuda que precisa (melhorando a sua experiencia) ao mesmo tempo que permite ao staff obter uma oportunidade de aprendizagem que lhes poderá ser útil para um futuro cliente com um perfil semelhante.

Nós, portadores de deficiência, somos especialistas no que nós, como indivíduos, precisamos e somos todos diferentes!

Por Carrie-Ann Lightly, traduzido por Rita Duarte

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